
Hoje Sampa resolveu se lembrar da garoa. Garoa grossa, forte, invasiva. Metrô Ana Rosa. Ponto de ônibus vazio, as pessoas esperavam seu transporte sob os toldos das lanchonetes. Exatamente onde me vi... Não sei o que estava fazendo lá, não sei por que de repente estava sozinho. As pessoas me notaram, e mais eu percebia sua ansiedade comigo, mais se via em meus olhos meu desespero. Senti que alguns queriam me ajudar, outros tiveram medo de meu tamanho. Não importava. Eu estava perdido, sozinho. Era o fim. Eu passaria fome, seria espancado, levado para um lar estranho talvez. Teria outra existência, e nunca mais seria o mesmo. Moça, não me olhe com essa pena que seu pesar aumenta meu terror... Mas então ele assoviou... Tive uma sensação de alívio triste depois desses segundos de pânico absoluto. Corri, abanei o rabo e segui meu dono. Já voltei para casa moça, não precisa chorar mais. Preocupe-se pelos outros que ainda andam pela rua, sem rumo, sem lar, sem amor.
Eu não aguento mais esses bichos sofrendo... queria entender por que quase ninguém entende.
Eu não aguento mais esses bichos sofrendo... queria entender por que quase ninguém entende.
Um comentário:
=´-[
também não...
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