sábado, 1 de novembro de 2008

A Vela, os Olhos e o Instrutor de Academia

Por regalo maternal, havia na caixa de mensagens dois e-mails do tipo corrente, só abertos por causa de tão importante remetente.
No mais antigo, a poética comparação... Amigos verdadeiros são como dois olhos: enxergam as mesmas coisas, riem e choram juntos, mesmo que não possam se ver.
O segundo e-mail, brinde casual de Samhain, trazia uma vela tremeluzente com um lindo pensamento de Chico Xavier sobre novos começos; deveria ser passado adiante para que um desejo fosse concedido. Mais que pela beleza da frase que pela ganância de um milagre, a corrente seguiu seu caminho, apenou-me interrompê-la.
Eis que no tempo prometido de 8 minutos para a realização da quimera, o bina codifica um número visivelmente internacional.
Uma voz sorridente do outro lado fez o relógio retroceder 13 anos... Mas o coração dizia que esse tempo nunca havia corrido, e as confidências fluíram como se fossem um hábito diário.
Do lado de lá, uma mulher fantástica, cuja vida sempre esteve repleta de testes e escassa de afagos na cabeça. Alguém que sempre bateu seus pés de touro no chão e fez o mundo reconhecer a marradas que tamanho não é documento. Do lado de cá, só um conceito latejava: uma amiga, das mais queridas, em uma chamada muito esperada. Um pedaço de alma que com suas palavras fez retornar o conceito de que Deus é um instrutor de academia.
Ele monta o circuito e determina o peso, sempre um pouco a mais do que gostaríamos, mas nunca nada acima de nossa capacidade. A graça é que a decisão final é nossa... Ninguém precisa carregar o que não quer. Basta largar aqueles pesos e, como um GPS de última geração, Ele redefine o trajeto. O que importa é o destino, não os caminhos...
A vela de Chico Xavier fez-se real, trouxe uma voz muito amada lá de longe, da terra da rainha. Depois de desligar, o olho daqui estava lacrimejando muito, rezando com todas as forças para ser só um cisco.