Ela não pára. E de pensar, pode-se chegar à loucura, mas jamais ao entendimento.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Resignação.
Ela passa, e passamos por ela tentando lembrar com exatidão de detalhes as sutilezas que só a sensibilidade da alma capta. E ela passa deixando saudades ao mesmo tempo em que oferece novidades com as quais nos ocupamos para amanhã sentir saudades. Ela passa e conforme vamos nos afastando de seu princípio e caminhando para seu fim, as lembranças do começo ficam cada dia mais nítidas e belas, fazendo crer que o passado sempre fora melhor. E o positivo disso é fazer-nos esquecer o que foi ruim, o que foi equivocado, o que ficou faltando. O ideal é que só falte covardia, para no minuto do adeus não sobrar nenhuma ação incompleta no arrependimento. Ela passa e os papéis vão sendo trocados, pais viram avós, filhos viram pais, bebês viram noivos, crianças envelhecem, os vazios à mesa aumentam, os espaços à mesa diminuem, e esse desinflar/inflar que dizem ser o pulsar do universo, é também o respirar da vida.
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