domingo, 17 de julho de 2011

Semeando flores em Sampa

A cidade da garoa é capaz de permitir-se semanas inteiras de sol e beleza. Nesse ciclo de generosidade urbana, abrem-se caminhos e possibilidades que nos levam das árabias ao Japão, e como diria Drácula, prefiro ir pelo subsolo, sempre. A mágica do metrô ainda funciona, mesmo abarrotada, mesmo apertada, mesmo atrasada... e te permite chegar com a mesma facilidade à Consolação às 7h20, ao Tietê às 15h40, à USP às 18h... Nada faz parar São Paulo e suas metas, sua gente, seu calor grisalho e forte.
Nesse circular infinito cabe cinema, cabe gastronomia, cabe café, cabe cultura literária, cabem sorrisos, cabem perguntas, cabem flores e sementes lisérgicas de alegria.
A cidade é tão grande, e mesmo nesse vai e vem em que é quase impossível não encontrar ninguém, cabe também ser privado e anônimo. E como é incrível esse poder da cidade em que no caos urbano pode perder-se o rosto e virar-se turista do nada... Turista do simples gozo de poder ir e vir e ser todos e não ser ninguém.
Os caminhares meditativos a sós, con uno mismo, acompanhados, em bandos, despetalam as milhares pétalas de girassol desse mundo de opções que é essa Sampa ofegante e apaixonada... E é impressionante como, querendo, basta uma semana de luz-idez para que os chakras da cidade se abram sob nossas mãos e brilhem. Sampa, eu te amo perdidamente; eternamente tua, flor de asfalto, como na poesia de Drummond.

Um comentário:

Amanda Herrera Massucatto disse...

me alegra tanto, e muito, que alguém, e ainda mais alguém tão "perto" consiga ver esse caos com tanta poesia. às vezes tento ver São Paulo com olhos de turista, mas confesso que a opressão me vence, e me faz faltar o ar. e o medo vence também. pena, queria mesmo mais poesia na cidade em que nasceu, e cresce, a minha sementinha...