
O poema, já nem lembro de quem, talvez Guimaraes, diz muito de tudo que agora vem... "o pranto jorrou-me em ondas, resistir, quem há de?" Tudo por voltar ao lar paterno e ter as mãos tomadas pelo fantasma do amor materno. Lar paterno é um referencial perdido quando "minha vida é andar, por esse país...", mas sempre que há aquele cantinho onde respira o aconchego, o colo de quem nos traz ao mundo, e sempre é um abraço necessário a cada instante.
Materialmente falando, esse abraço se perdeu. Ficaram o calor, o amor, a admiração, o modelo. Ficaram coisas nada palpáveis do muito da história de cada um. Ficou uma saudade sem precedentes. Ficou uma dor de querer questionar a sabedoria divina e a vontade de duvidar do que é ser divino e sábio. Ficou o egoísmo humano de ocupar-se de sua própria dor e não pensar no alívio do outro. Essa dor maldita que se nutre de auto-piedade e falta de humildade para resignar-se e calar.
Não há volta. Ser concebido é ganhar, sem pedir, uma passagem só de ida, e são várias idas, e na verdade nunca se sabe qual é a ida definitiva e de qual se tem mais medo ao longo do percurso. Todo passo novo assusta, tanto quem vai como quem fica, o problema de quem fica é ter que esperar sua vez sem poder ver o que há lá adiante. Ansiedade, temor, saudade.
A solidão de ter tanto pra dizer e já não ter os ouvidos mais preciosos do modo como se deseja, e precisar crer em algo para conseguir sobreviver mais um dia em paz, envolta em algo que parece loucura, só para saciar essas ganas de falar, e contar e dividir com a pessoa certa. Onde está a pessoa certa para isso?
Existe uma para cada um, existe só um ombro certo para cada um. Só um abraço funcional. Só uma conselheira que merece total atenção. E quando a jornada dela se finaliza, fecha-se um mundo pessoal em silêncio, simplesmente porque mais ninguém no mundo merece ouvir o que só ela podia ouvir e entender. E na sandice de Bilac agora me abrigo, porque o que resta agora é alimentar-me desse amor incondicional e ouvir estrelas, "porque só quem ama tem ouvido capaz de ouvir e de entender estrelas."
Um comentário:
lindo Verinha. dolorido, e lindo. Estou contigo!
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