Não curto a versão blog meu querido diário naquele esquema de rolou-escrevi. Entretanto, o cérebro prega umas peças que merecem registro, porque lembramos de coisas de formas inusitadas e da mesma forma voltamos a esquecer.
Em outra época eu teria tirado o telefone do gancho e ligado para minha excelentíssima progenitora, mas diante desta impossibilidade e segura de ela ter testemunhado a cena sozinha, redijo.
Ao cumprir o impagável ritual de tirar minha cria da cama, encontrei enrolado no cobertorzinho um porquinho feito de meia, presente politicamente correto e lindo de Natal. (Viva a tia Gui!)
Entreguei-o a dona, que virou-o e comentou que o bicho não tinha rabo, era fato... E num flash nonsense veio-me à mente um rabo de porco, rosa, lindo, firme, que nunca estivera ou estaria em uma feijoada. Um rabinho de porco macio que eu adorava ficar mexendo, porque me surpreendia a forma como fora feito; um rabinho de feltro. Na sequência veio o porco todo... Olhos amendoados, corpo de tecido florido, orelhinhas dobradas... O porco mais lindo do mundo, que tinha uma amiga coruja. Dormiam em uma cama de colcha colorida, junto com vários outros bichos de pano e um almofadão que o próprio Papai Noel entregou em um vôo por Cotia que era a cara do bom velhinho executada pelas mesmas mão habilidosas.
E forçando mais, era um zoológico inteiro, ratinhos, coelhos, e também havia roupas, calças com estrelas, vestidos envelope, blusas bordadas e coletes... Uma infinidade de peças saídas da mesma máquina mágica e das mesmas mãos enrugadas e cheirosas, sempre cheirosas.
Cheiro de creme Nívea.
Num piscar de olhos, como outrora, tenho um insight de que aquele rabinho de porco era uma varinha de condão de memórias.
2 comentários:
y de quién eran las manos, Reina?
Eram da Baba, Mandica
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